Um caminhoneiro, que passava por
uma das rodovias que cortam o município de Cabeceiras (GO), no nordeste do
estado, resolveu parar no acostamento e apanhar algumas espigas de milho da
plantação da fazenda Bianco, uma das maiores produtoras agro de Goiás.
Mas o caminhoneiro foi flagrado
no furto pelo gerente da fazenda, que naquele instante trafegava por ali, numa
picape S10, branca.
O gerente desceu do veículo,
começou a filmar a cena com o seu telefone celular e se aproximou do homem.
Bastava chamar a polícia, se
quisesse repreender e punir o rapaz, que transportava combustível. Se bem que a
área onde as espigas foram retiradas pertence ao Denit. A fazenda usou terras
públicas para plantar na beira da estrada.
Mas foi muito além e sua atitude
se transformou num grande problema, que mexeu, não apenas com a honra e o brio,
humilhando o trabalhador, mas com toda a comunidade do estado de Goiás. Sua
fala tem repercutido fortemente.
O gerente da fazenda, que mora em
Formosa (GO), postou a gravação nas redes socais, que por óbvio viralizou.
“Vou mostrar como se faz agora
com essa goianada”, disse ele em um dos trechos do vídeo. Depois de obrigar o
homem a devolver cerca de 20 espigas de milho, o gerente da fazenda ainda
continuou a ofender os goianos. “Aqui no Goiás tem essa mania de roubar as
coisas dos outros”.
O Blog não vai publicar o vídeo
para não expor ainda mais o caminhoneiro. Mas transcrevemos o trecho da fala do
gerente.
“Aqui ó, chegou a procurar na
internet o dono dessa empresa? Aqui ô motorista, um ladrão, ó. Roubando meu
milho. Parabéns cara. Você acaba de ser notificado como ladrão. Põe lá dentro
da caminhonete. Eu vou passar para a polícia. Vou mostrar como é que faz agora
com essa goianada roubando milho.

.
Se bem que a área onde as espigas foram retiradas pertence ao Denit. A fazenda
usou terras públicas para plantar na beira da estrada.
Não tem vergonha na cara!? Não
tem caráter. Se eu for lá na sua casa, entrar lá, entrar no seu quintal e pegar
alguma coisa, sou ladrão ou não sou? Não custa nada pedir. Porque que tem que
pegar. Vou passar para polícia agora. Para que isso sirva de exemplo para todo
o mundo.
Aqui no Goiás tem essa mania de
roubar as coisas dos outros. Achar que o cara planta e é assim que funciona. Eu
vou educar esse pessoal. Nunca mais faça isso. Que sirva de exemplo para ti. A
fazenda é ali. Não custava nada. Se quer, só pedir. Eu dou. Não tem importância
não. Agora roubar é feio. Nunca mais, viu”, disse o representante da fazenda
Bianco ao homem que apanhava as espigas de milho.
Goiás se transformou num grande
celeiro do país graças, inclusive, à tenacidade do povo gaúcho, que chegou no
estado a partir da década de 1980 e imprimiu na região grandes técnicas de
produção.
Foram bem recebidos pelos goianos
e aqui ficaram raízes e construíram suas famílias. A atitude do gerente, que
tem o sobrenome típico de imigrantes europeus, não soou bem.
O prefeito da cidade de
Cabeceiras (GO), Tuta, ligou para do dono da fazenda Bianco e denunciou o
gerente. Além disso, fez uma Nota à Imprensa sobre o caso.
“Boa tarde a todos, foi com muita
tristeza que recebi o vídeo desse episódio envolvendo o caminhoneiro e o
gerente da fazenda Bianco, logo em seguida fiz contato com o proprietário da
fazenda, Arno Bruno Vaz, por não ter o contato do gerente Fernando.
Exigir que o próprio se
retratasse com a fala desrespeitosa com o nosso querido povo goiano e com a sociedade
de bem, é inadmissível que uma pessoa se acha no direito de corrigir um erro
com exageros e humilhações. Portanto em nome de todos os Cabeceirenses e o povo
Goiano, fica aqui a nossa nota de repúdio e indignação ao episódio, segue o
áudio dirigido ao Arno Bruno e a retração do Fernando gerente da Fazenda
Bianco”, escreveu o prefeito.
Jacó Rotta, Presidente do
sindicato Rural de Cabeceiras também se pronunciou.
“Bom dia a todos. Eu, Jacó Rotta,
Presidente do sindicato Rural de Cabeceiras, venho por meio desta nota
expressar nossa indignação, para com a atitude tomada pelo gerente da fazenda
Bianco. Tenho certeza que, nenhum dos produtores rurais de Cabeceiras e região,
concorda com tal inconveniência, somos gratos pelo município por dar oportunidade
a todos. Concluímos que a atitude tomada extrapolou os limites do bom senso e
respeito ao próximo. Não é certo pegar sem permissão, mas não justifica tal
atitude. Em nome de todos os produtores, pedimos desculpas pelo ocorrido.”
Após a repercussão, inclusive em
rádios locais, com entrevista das partes, diversas ameaças começaram a surgir.
Uma delas dizia que os goianos iriam tocar fogo no milharal, assim que ele
tiver seco. “Ele vai ter que colher o milho é verde. A história chegou nos
ouvidos dos goianos”, disse um deles.


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