2022/05/09

Gerente de fazenda humilha caminhoneiro e diz que “goianada” só sabe furtar

 


Um caminhoneiro, que passava por uma das rodovias que cortam o município de Cabeceiras (GO), no nordeste do estado, resolveu parar no acostamento e apanhar algumas espigas de milho da plantação da fazenda Bianco, uma das maiores produtoras agro de Goiás.

 

Mas o caminhoneiro foi flagrado no furto pelo gerente da fazenda, que naquele instante trafegava por ali, numa picape S10, branca.

 

O gerente desceu do veículo, começou a filmar a cena com o seu telefone celular e se aproximou do homem.

 

Bastava chamar a polícia, se quisesse repreender e punir o rapaz, que transportava combustível. Se bem que a área onde as espigas foram retiradas pertence ao Denit. A fazenda usou terras públicas para plantar na beira da estrada.

 

Mas foi muito além e sua atitude se transformou num grande problema, que mexeu, não apenas com a honra e o brio, humilhando o trabalhador, mas com toda a comunidade do estado de Goiás. Sua fala tem repercutido fortemente.

 

O gerente da fazenda, que mora em Formosa (GO), postou a gravação nas redes socais, que por óbvio viralizou.

 

“Vou mostrar como se faz agora com essa goianada”, disse ele em um dos trechos do vídeo. Depois de obrigar o homem a devolver cerca de 20 espigas de milho, o gerente da fazenda ainda continuou a ofender os goianos. “Aqui no Goiás tem essa mania de roubar as coisas dos outros”.

 

O Blog não vai publicar o vídeo para não expor ainda mais o caminhoneiro. Mas transcrevemos o trecho da fala do gerente.

 

“Aqui ó, chegou a procurar na internet o dono dessa empresa? Aqui ô motorista, um ladrão, ó. Roubando meu milho. Parabéns cara. Você acaba de ser notificado como ladrão. Põe lá dentro da caminhonete. Eu vou passar para a polícia. Vou mostrar como é que faz agora com essa goianada roubando milho.

 

. Se bem que a área onde as espigas foram retiradas pertence ao Denit. A fazenda usou terras públicas para plantar na beira da estrada.

Não tem vergonha na cara!? Não tem caráter. Se eu for lá na sua casa, entrar lá, entrar no seu quintal e pegar alguma coisa, sou ladrão ou não sou? Não custa nada pedir. Porque que tem que pegar. Vou passar para polícia agora. Para que isso sirva de exemplo para todo o mundo.

 

Aqui no Goiás tem essa mania de roubar as coisas dos outros. Achar que o cara planta e é assim que funciona. Eu vou educar esse pessoal. Nunca mais faça isso. Que sirva de exemplo para ti. A fazenda é ali. Não custava nada. Se quer, só pedir. Eu dou. Não tem importância não. Agora roubar é feio. Nunca mais, viu”, disse o representante da fazenda Bianco ao homem que apanhava as espigas de milho.

 

Goiás se transformou num grande celeiro do país graças, inclusive, à tenacidade do povo gaúcho, que chegou no estado a partir da década de 1980 e imprimiu na região grandes técnicas de produção.

 

Foram bem recebidos pelos goianos e aqui ficaram raízes e construíram suas famílias. A atitude do gerente, que tem o sobrenome típico de imigrantes europeus, não soou bem.

 

O prefeito da cidade de Cabeceiras (GO), Tuta, ligou para do dono da fazenda Bianco e denunciou o gerente. Além disso, fez uma Nota à Imprensa sobre o caso.

 

“Boa tarde a todos, foi com muita tristeza que recebi o vídeo desse episódio envolvendo o caminhoneiro e o gerente da fazenda Bianco, logo em seguida fiz contato com o proprietário da fazenda, Arno Bruno Vaz, por não ter o contato do gerente Fernando.

 

Exigir que o próprio se retratasse com a fala desrespeitosa com o nosso querido povo goiano e com a sociedade de bem, é inadmissível que uma pessoa se acha no direito de corrigir um erro com exageros e humilhações. Portanto em nome de todos os Cabeceirenses e o povo Goiano, fica aqui a nossa nota de repúdio e indignação ao episódio, segue o áudio dirigido ao Arno Bruno e a retração do Fernando gerente da Fazenda Bianco”, escreveu o prefeito.

 

Jacó Rotta, Presidente do sindicato Rural de Cabeceiras também se pronunciou.

 

“Bom dia a todos. Eu, Jacó Rotta, Presidente do sindicato Rural de Cabeceiras, venho por meio desta nota expressar nossa indignação, para com a atitude tomada pelo gerente da fazenda Bianco. Tenho certeza que, nenhum dos produtores rurais de Cabeceiras e região, concorda com tal inconveniência, somos gratos pelo município por dar oportunidade a todos. Concluímos que a atitude tomada extrapolou os limites do bom senso e respeito ao próximo. Não é certo pegar sem permissão, mas não justifica tal atitude. Em nome de todos os produtores, pedimos desculpas pelo ocorrido.”

 

Após a repercussão, inclusive em rádios locais, com entrevista das partes, diversas ameaças começaram a surgir. Uma delas dizia que os goianos iriam tocar fogo no milharal, assim que ele tiver seco. “Ele vai ter que colher o milho é verde. A história chegou nos ouvidos dos goianos”, disse um deles.

 

Dinomarmiranda.

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