Rio – O novo aumento no preço do
diesel nas refinarias, anunciado nesta segunda-feira, 9, pela Petrobras,
elevará o custo do frete e resultará em aumento de preços dos produtos no varejo,
alertou o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos
Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão.
“Realmente precisa ser feito
alguma coisa, porque o transporte está entrando em colapso, e quem sofre é a
sociedade”, disse Chorão ao Estadão/Broadcast. “Essa pauta não é só dos
caminhoneiros, é de todos em conjunto. A partir de amanhã, os preços do leite,
do pão, das verduras vão sofrer reajustes, porque isso (aumento do combustível)
tem que ser repassado”, acrescentou.
Chorão disse que tem conversado
com representantes de diferentes setores, entre eles grandes empresas
transportadoras e motoristas de aplicativos, que também estariam afetados e
insatisfeitos com os aumentos subsequentes nos preços dos combustíveis. “Se
continuar do jeito que está, o transporte vai parar naturalmente, por não ter
condições de rodar”, argumentou.
Ele defende uma intervenção do
governo federal na companhia via Conselho de Administração para suspender os
efeitos da Política de Paridade de Preço Internacional (PPI), que reajusta os
combustíveis com base em cotações internacionais e condições de mercado.
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atrasar 50 mil perícias
Chorão disse que pretende
conversar com representantes do setor industrial e do agronegócio para costurar
apoios ao pleito de abolir o PPI. “Precisamos conversar com todos, para dar uma
resposta da sociedade”, afirmou o representante dos caminhoneiros.
A Abrava informou que está
entrando com um recurso contra a decisão judicial que negou a suspensão da
política de preços da Petrobras para os combustíveis. Na decisão que declinou o
pedido, a magistrada Maria Cristina de Brito Lima, da 6ª Vara Empresarial do
Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, afirmou que a demanda “fere” o
princípio da livre iniciativa, intervenção que é vedada ao Judiciário.
A Petrobras informou que elevará
o preço do óleo diesel nas refinarias a partir de terça-feira, 10, em cerca de
8,87%. O preço médio de venda de diesel para as distribuidoras passará de R$
4,51 para R$ 4,91 por litro, R$ 0,40 a mais. Os preços de gasolina e do GLP
(gás liquefeito de petróleo) permanecerão, por ora, inalterados.
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Banco Central
A companhia justificou o aumento
ressaltando que o megarreajuste feito em 11 de março “refletia apenas parte da
elevação observada nos preços de mercado” e que, no momento, há uma redução
mundial na oferta de diesel, o que pressiona os preços globalmente.
A Petrobras informou ainda que
suas refinarias operavam com utilização de 93% da capacidade instalada no
início de maio, ou seja, perto do nível máximo, mas ainda aquém da demanda
doméstica, fazendo com que cerca de 30% do consumo brasileiro de diesel fossem
atendidos por outros refinadores ou importadores.
A empresa diz que a alta
anunciada agora no diesel segue outros fornecedores de combustíveis no Brasil,
que já promoveram ajustes nos seus preços de venda, acompanhando os preços de
mercado. No comunicado afirma ainda que a política de reajustes “está em
conformidade com os parâmetros legais e o ambiente de livre competição que
vigora no Brasil há mais de vinte anos”.
“MSN”

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