| Foto: Roberto Pessoa/Sindicam |
O setor do transporte de cargas de grão de
Mato Grosso avalia a possibilidade de entrar novamente em greve, podendo a
paralisação ganhar a adesão de outros segmentos do transporte. O novo bloqueio
dos caminhoneiros e empresários decorreria do silêncio por parte dos governos
Federal e Estadual após reuniões realizadas em janeiro, que visaram o fim do
manifesto na ocasião, além do fato do frete estar apresentando queda em pleno
pico de safra.
Segundo o representante do
Movimento dos Transportadores de Carga (MTG), Gilson Baitaca, o setor do transporte
de cargas de grãos em Mato Grosso já avalia uma nova greve. Ele comenta que o
frete em pleno pico de safra já começa apresentar retração.
A tonelada entre Sapezal e Porto
Velho (RO), de acordo com o Boletim Semanal do Instituto Mato-grossense de Economia
Agropecuária (Imea), fechou a semana de 27 de fevereiro a 03 de março em R$
138. Montante este 4,83% menor que na semana entre 20 e 24 de fevereiro. Já de
Campo Verde para Paranaguá (PR) o recuo foi de 48,89% e a tonelada é vista a R$
115.
O frete, conforme Baitaca, é
apenas um dos motivos para uma nova paralisação. “Até o momento não recebemos
resposta do governo federal, como prometido pelo ministro-chefe da Casa Civil,
Eliseu Padilha, de cada uma das demandas apresentadas em reunião realizada em
janeiro”.
Baitaca comenta que há um
“silêncio” também por parte do Governo de Mato Grosso, visto durante reunião no
dia 25 de janeiro, que contou com a presença do setor produtivo e da Associação
Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), o vice-governador Carlos
Fávaro “prometeu” que uma a criação de uma comissão entre caminhoneiros e a
Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) para discutir o balizamento do valor do
preço pauta do frete para que o ICMS possa ser cobrado em cima desse frete.
Caminhoneiros, autônomos e
empresários do setor do transporte fecharam a BR-364 em Rondonópolis em dois
pontos entre os dias 13 e 18 de janeiro. O movimento só foi encerrado mediante
a garantia de uma reunião com os governos Federal e Estadual.
Crise
O setor do transporte de cargas,
principalmente de grãos, vem passando por uma crise há três anos
aproximadamente, tendo o seu “enterro do segmento” com a quebra da safra
2015/2016, onde somente entre soja e milho foram quase 9 milhões de toneladas a
menos produzidas .
Em 2015, como acompanhado pelo
Agro Olhar, os caminhoneiros em Mato Grosso chegaram entre os meses de
fevereiro e março a bloquear as principais rotas de escoamento da produção de
grãos. Em todo o país foram realizados manifestos em prol de melhores condições
de trabalho e um frete que cubra os custos de produção.
O projeto de lei 528/2015 foi
criado após as paralisações realizadas no primeiro semestre de 2015, aonde em
Mato Grosso todas as principais rotas de escoamento da produção agropecuária
com destino aos portos chegaram a ficar bloqueadas. O texto visa o
estabelecimento de uma tabela de preço mínimo para o frete, que hoje não cobre
os custos de operação do setor de transporte de cargas.
Agro Olhar,
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