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Vancy sonha em ser jogador de futebol e treina na escolinha
do Ceará (FOTO: Lyvia Rocha/Tribuna do Ceará)
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A história de Vancy Diniz
sensibilizou muitas pessoas que desejam tornar a vida do garoto menos sofrida.
A repercussão após a publicação
da matéria do Tribuna do Ceará sobre o menino que vende dindim para pagar a
própria mensalidade da escolinha de futebol do Ceará foi imediata. Muitas
pessoas entraram em contato querendo ajudar de alguma forma Vancy Diniz, de 12
anos, pagando a mensalidade, dando chuteiras ou levando-o aos estádios.
Pensando em realizar o sonho do
menino em conhecer o Castelão, Henrique Luz criou um grupo e reuniu amigos para
levar o garoto para o jogo entre Ceará e Flamengo, que acontece no próximo dia
22. Para ele, foi impossível não se emocionar com a história.
“Eu fiquei muito sensibilizado
com o que li, e também por ele gostar de futebol e nunca ter ido a um estádio.
O fato dele também não ter pai como eu me deixou mais tocado, por isso quero
ajudar a realizar esse momento para ele”, relatou Henrique.
O empresário Jeisson Mundi também
ficou tocado com a história de Vancy e vai presenteá-lo com um par de
chuteiras. “Eu tinha o mesmo sonho dele, só que meu pai me ajudava na época, e
quero dar incentivo para que ele não desista de lutar pelo que deseja”.
Morador de Manaus, Kaio Kurió
também é outro que desejar dar um novo par de chuteiras para Vancy. “Compro
pela internet e vocês doam para ele. Eu me vi muito nesse menino e quero
ajudá-lo”, afirmou.
Entenda a historia:
Uma criança que deseja ser
jogador de futebol não é novidade no Brasil. Alguns realizam o sonho, jogam
primeiro na base, chegam ao profissional, mas nem sempre valorizam o objetivo
alcançado. Por isso, chama a atenção a história do garoto Vancy Diniz, de 12
anos, que vende dindins para pagar sua própria escolinha de futebol do Ceará.
De sorriso fácil, mas uma certa
timidez, o garoto é firme nas palavras e não se envergonha em dizer que paga a
escolinha de futebol do Ceará com o dinheiro da venda de dindins.
“Desde os 10 anos eu vendo
dindim. Por dia eu trago uns 30 dindins, vendo no colégio e também aqui (nas
imediações do Ceará, localizado no bairro Porangabuçu)”, revela o garoto, que
completa sua renda aos sábados quando ajuda os feirantes na feira do São
Cristóvão”.
A matrícula da escolinha custa R$
200 e, mensalmente, R$ 105. Ao se matricular, o aluno ganha o uniforme, exceto
a chuteira. Sobre o valor que ganha diariamente, Vancy disse que é cerca de R$
7, já na feira aos sábados, ganha R$ 30.
Surpreendentemente, o menino fala
com maturidade o porquê começou e foi para o futebol. “Eu jogava futsal no
colégio, mas eu não via muito futuro, sabe? Então, quis entrar na escolinha,
porque acho que o futebol pode me dar mais futuro”, acredita.
Morando com sua avó materna e a
irmã de 19 anos, o menino dá orgulho a avó pelo esforço e a garra para se
tornar um jogador de futebol. “Ele é muito esforçado, mas não deixa de lado o
estudo. É muito responsável. Doido por futebol, a brincadeira dele é jogar
bola. Eu faço todos os dias os dindins,
e ele vende, não tem vergonha. O dinheiro da aposentadoria não dá para quase
nada. Ele teve a ideia de levar dindim para vender e pagar a própria
escolinha”, explica Luci Santos.
A avó se preocupa com o fato de
alguém achar que há exploração do menino, já que a lei diz que criança não pode
trabalhar. Contudo, ela garante que a vontade vem dele próprio. “Ele diz que
isso é necessário para realizar o sonho de ser jogador de futebol”, explica.
O garoto começou a torcer Ceará
quando notou que seu pai, já falecido, assistia e torcia pelo Alvinegro. “Meu
pai sempre assistia os jogos do Ceará, e comecei a torcer e me apaixonar pelo
time também. Eu acho que tinha uns 5 anos, e agora tento ver os jogos, mas nem
sempre consigo”, lamenta o garoto, que sonha em ser lateral-direito, mas nunca
foi a um estádio de futebol.
Sobre o desejo de ser jogador de
futebol, não há dúvida. Mas para quem imagina que ele deseja ser um atacante,
engana-se, Vancy quer ser lateral-direito. E o ídolo está bem próximo a ele:
Tiago Cametá. “Eu gosto do Cametá, acho que ele joga bem, e quero ser da mesma
posição. Não sei bem o porquê, mas quero ser lateral”, revelou o garoto.
Esperança no futuro
Vancy não vende seus dindins
apenas próximo ao Ceará, mas também no colégio durante a hora do intervalo. De
forma justa, o garoto divide o que ganha todos os dias com a avó, que é
responsável por fazer os dindins. “Se eu ganhar R$ 30, são R$ 15 dela e R$ 15
para colocar no meu cofrinho, até porque se não fosse ela não podia vender”,
afirma o garoto, que vende cada dindim por R$ 1.
O menino segue todas as terças e
quintas, das 19h às 20h, para a escolinha do Ceará. Ele vai sozinho de ônibus,
já que mora no Bairro Conjunto Esperança, distante de Porangabuçu. “Pego o
ônibus aqui perto, e paro próximo de casa, não tem perigo”, diz o menino.
A esperança em se tornar um
jogador de futebol é grande, por isso ele não mede esforços para conseguir o
objetivo de ser jogador. “Ele não tem preguiça de nada, acho muito bonito o
jeito de se esforçar e não esquecer os estudos. Eu acredito, se Deus quiser,
que ele vai conseguir ser um jogador”, espera a avó, a primeira fã do garoto.
Tribuna do Ceará
Por Lyvia Rocha
Categories: em Futebol cearense




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