2017/02/08

Que bonito é! Menino que vende dindim para pagar escolinha do Ceará mobiliza corrente de ajuda

Vancy sonha em ser jogador de futebol e treina na escolinha do Ceará (FOTO: Lyvia Rocha/Tribuna do Ceará)
A história de Vancy Diniz sensibilizou muitas pessoas que desejam tornar a vida do garoto menos sofrida.
A repercussão após a publicação da matéria do Tribuna do Ceará sobre o menino que vende dindim para pagar a própria mensalidade da escolinha de futebol do Ceará foi imediata. Muitas pessoas entraram em contato querendo ajudar de alguma forma Vancy Diniz, de 12 anos, pagando a mensalidade, dando chuteiras ou levando-o aos estádios.
Pensando em realizar o sonho do menino em conhecer o Castelão, Henrique Luz criou um grupo e reuniu amigos para levar o garoto para o jogo entre Ceará e Flamengo, que acontece no próximo dia 22. Para ele, foi impossível não se emocionar com a história.
“Eu fiquei muito sensibilizado com o que li, e também por ele gostar de futebol e nunca ter ido a um estádio. O fato dele também não ter pai como eu me deixou mais tocado, por isso quero ajudar a realizar esse momento para ele”, relatou Henrique.
O empresário Jeisson Mundi também ficou tocado com a história de Vancy e vai presenteá-lo com um par de chuteiras. “Eu tinha o mesmo sonho dele, só que meu pai me ajudava na época, e quero dar incentivo para que ele não desista de lutar pelo que deseja”.
Morador de Manaus, Kaio Kurió também é outro que desejar dar um novo par de chuteiras para Vancy. “Compro pela internet e vocês doam para ele. Eu me vi muito nesse menino e quero ajudá-lo”, afirmou.
Entenda a historia:
Uma criança que deseja ser jogador de futebol não é novidade no Brasil. Alguns realizam o sonho, jogam primeiro na base, chegam ao profissional, mas nem sempre valorizam o objetivo alcançado. Por isso, chama a atenção a história do garoto Vancy Diniz, de 12 anos, que vende dindins para pagar sua própria escolinha de futebol do Ceará.
De sorriso fácil, mas uma certa timidez, o garoto é firme nas palavras e não se envergonha em dizer que paga a escolinha de futebol do Ceará com o dinheiro da venda de dindins.
“Desde os 10 anos eu vendo dindim. Por dia eu trago uns 30 dindins, vendo no colégio e também aqui (nas imediações do Ceará, localizado no bairro Porangabuçu)”, revela o garoto, que completa sua renda aos sábados quando ajuda os feirantes na feira do São Cristóvão”.
A matrícula da escolinha custa R$ 200 e, mensalmente, R$ 105. Ao se matricular, o aluno ganha o uniforme, exceto a chuteira. Sobre o valor que ganha diariamente, Vancy disse que é cerca de R$ 7, já na feira aos sábados, ganha R$ 30.
Surpreendentemente, o menino fala com maturidade o porquê começou e foi para o futebol. “Eu jogava futsal no colégio, mas eu não via muito futuro, sabe? Então, quis entrar na escolinha, porque acho que o futebol pode me dar mais futuro”, acredita.
Morando com sua avó materna e a irmã de 19 anos, o menino dá orgulho a avó pelo esforço e a garra para se tornar um jogador de futebol. “Ele é muito esforçado, mas não deixa de lado o estudo. É muito responsável. Doido por futebol, a brincadeira dele é jogar bola. Eu faço todos  os dias os dindins, e ele vende, não tem vergonha. O dinheiro da aposentadoria não dá para quase nada. Ele teve a ideia de levar dindim para vender e pagar a própria escolinha”, explica Luci Santos.
A avó se preocupa com o fato de alguém achar que há exploração do menino, já que a lei diz que criança não pode trabalhar. Contudo, ela garante que a vontade vem dele próprio. “Ele diz que isso é necessário para realizar o sonho de ser jogador de futebol”, explica.
O garoto começou a torcer Ceará quando notou que seu pai, já falecido, assistia e torcia pelo Alvinegro. “Meu pai sempre assistia os jogos do Ceará, e comecei a torcer e me apaixonar pelo time também. Eu acho que tinha uns 5 anos, e agora tento ver os jogos, mas nem sempre consigo”, lamenta o garoto, que sonha em ser lateral-direito, mas nunca foi a um estádio de futebol.
Sobre o desejo de ser jogador de futebol, não há dúvida. Mas para quem imagina que ele deseja ser um atacante, engana-se, Vancy quer ser lateral-direito. E o ídolo está bem próximo a ele: Tiago Cametá. “Eu gosto do Cametá, acho que ele joga bem, e quero ser da mesma posição. Não sei bem o porquê, mas quero ser lateral”, revelou o garoto.
Esperança no futuro
Vancy não vende seus dindins apenas próximo ao Ceará, mas também no colégio durante a hora do intervalo. De forma justa, o garoto divide o que ganha todos os dias com a avó, que é responsável por fazer os dindins. “Se eu ganhar R$ 30, são R$ 15 dela e R$ 15 para colocar no meu cofrinho, até porque se não fosse ela não podia vender”, afirma o garoto, que vende cada dindim por R$ 1.
O menino segue todas as terças e quintas, das 19h às 20h, para a escolinha do Ceará. Ele vai sozinho de ônibus, já que mora no Bairro Conjunto Esperança, distante de Porangabuçu. “Pego o ônibus aqui perto, e paro próximo de casa, não tem perigo”, diz o menino.
A esperança em se tornar um jogador de futebol é grande, por isso ele não mede esforços para conseguir o objetivo de ser jogador. “Ele não tem preguiça de nada, acho muito bonito o jeito de se esforçar e não esquecer os estudos. Eu acredito, se Deus quiser, que ele vai conseguir ser um jogador”, espera a avó, a primeira fã do garoto.



 Tribuna do Ceará
Por Lyvia Rocha  Categories: em Futebol cearense

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