Há pouco mais de duas semanas
Dayani Cristina Barbosa, de 36 anos, foi diagnosticada com um nódulo maligno na
tireoide. Mãe solo, a confeiteira se desdobra para cuidar dos três filhos, em
especial os gêmeos de três anos, que apresentam quadros de Esquizofrenia e
Macrocrania. Desempregada e com dificuldades para vender os biscoitos de nata
que ela mesma produz, Dayani busca ajuda para seguir lutando.
Sua principal fonte de renda
vinha dos doces e biscoitos que vendia pelos bares da capital, mas com o
agravamento da pandemia, suas vendas caíram drasticamente. "Nos últimos
dias tenho tido muita dificuldade para vender, faço postagens nas redes sociais
mas não sai nada. Com a pandemia ficou ainda mais difícil conseguir. Não tenho
para onde pedir socorro", desabafa.
Diante da falta de renda, Dayani decidiu
recorrer às redes sociais para tentar conseguir alimento. Em uma publicação
feita em julho de 2020, a confeiteira oferecia serviços de faxina em troca de
leite e frutas. Para a mãe, a pior dor que sente é não ter o que dar de comer
para os filhos. "Não posso deixar meus filhos passarem fome, posso até
capinar o quintal, faço o que for. É difícil ver o seu filho pedir algo para
comer e você não ter para dar", disse.
Com um diagnóstico apontando a
presença de um tumor maligno na tireoide, a confeiteira relata que vem
enfrentando dificuldades para conseguir atendimento no Instituto de Tumores e
Cuidados Paliativos de Cuiabá (ITC), já que até o momento não conseguiu uma
resposta definitiva sobre a cirurgia que precisa fazer para a retirada do
nódulo. "Fui ao ITC e não quiseram me operar, mesmo o meu caso sendo de
urgência e emergência. Hoje estou desesperada, não sei para onde correr",
afirmou.
Segundo Dayani, a justificativa
dada por um dos médicos da unidade de saúde, é que por conta da paciente ter
tido um quadro positivo para a Covid-19, seria necessário esperar quatro meses
para que a cirurgia fosse realizada.
Sem a ajuda do pai dos gêmeos,
que de acordo com a autônoma não quis ao menos registrar os filhos, a família
mora de favor na casa da mãe adotiva da confeiteira e sobrevive com os poucos
biscoitos que consegue vender, além da ajuda financeira que chega por meio da
pensão que a filha mais velha, de 15 anos, ainda recebe.
Ainda segundo Dayani, a cirurgia
para a retirada do nódulo é a única forma de impedir que o câncer se alastre
para outras partes do corpo. "Sinto muita dor. Meus pés e minhas pernas
estão sempre muito inchados. Me canso muito. Preciso fazer essa cirurgia, tenho
medo de morrer e meus filhos ficarem sem ninguém", finalizou.
A confeiteira mantém seus canais
abertos para as pessoas que quiserem colaborar, seja enviando doações ou
fazendo pedidos de biscoitos. Para falar diretamente com Dayani, ligue: (65) 9
9350-3461. E para fazer doação em qualquer valor: Caixa Econômica Federal -
Agência: 1681 / Conta Poupança 00061514-3 / CPF 002.943.951-56
OUTRO LADO
Nossa equipe de reportagem entrou
em contato com o ITC na tarde desta segunda-feira (5). Segundo a unidade, não
existe nenhum tipo de recomendação institucional sobre a possível espera de
quatro meses para que pacientes que tenham tido diagnóstico positivo para
Covid-19 serem operados.
Ainda de acordo com o Instituto,
o médico responsável pelo atendimento de Dayani não está se responsabilizando
por cirurgias nos últimos dias pois está em um congresso.
"Nós não temos essa prática
institucionalizada. O doutor só não vai atender essa semana pois está em um
congresso. Não temos conhecimento deste caso, temos sempre um atendimento bem
especial para todos os nossos pacientes", afirmou o ITC.


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