O deputado estadual Carlos
Avalone (PSDB) classificou o momento pelo qual Mato Grosso – e todo o Brasil –
passa como desesperador, em todos os aspectos. Segundo o parlamentar, das
ligações que ele recebe, metade é de pessoas pedindo vagas em leitos de Unidade
de Terapia Intensiva (UTI) para seus familiares, e a outra metade é de donos de
empresas pedindo ‘socorro’. Para ele, a única saída é a vacinação, mas esta
também segue a passos lentos.
“Antes a gente achava que a pandemia era três
meses, seis meses, agora nós percebemos que é um ano, dois anos, três anos...
não passou, então nós precisamos olhar isso com uma visão de mais médio prazo.
Tanto para a economia quanto para a saúde. Eu estou trabalhando, estudando
muito isso, acompanhando todos esses setores, e hoje os deputados estão assim,
metade das ligações que a gente recebe, que eu recebo, é de gente pedindo UTI,
e a outra metade é de empresas pedindo sobrevivência para não ir para a UTI.
Então é um drama impressionante que a sociedade está passando e que nós temos
que estar 100% ao lado para encontrar soluções que sejam diferentes do normal”,
lamentou o deputado na última terça-feira (16).
O deputado ainda lamentou a
velocidade pequena com que a população está sendo vacinada contra a Covid-19.
“Eu só acredito na vacina. O cenário só vai mudar com a vacina. Nós estamos
vendo essa quantidade de vacina que está sendo anunciado, mas a gente não vê no
dia a dia isso aumentar. Dez milhões de vacinas que foram entregues até agora,
que foram vacinados até agora, para um país que precisa de 210 milhões de
pessoas e 420 milhões de vacinas, isso é nada. E o que está acontecendo com as
variantes? As variantes estão se adaptando ao problema, está pegando em jovem,
40% das UTIs é de pessoas com menos de 40 anos, já tem criança sendo internada
em UTI infantil... isso é desesperador”.
Em relação à economia, Avalone
acredita ser necessário também dar socorro maior às empresas, e entender,
inclusive, que muitas delas poderão não conseguir pagar os empréstimos do
Governo do Estado. No entanto, o parlamentar garante que é possível dar
‘socorro’ ao setor. Na última terça-feira (17), presidentes de grupos como
Sindicato de Bares, Restaurantes e Similares e a Associação Brasileira de Bares
e Restaurantes em Mato Grosso (Abrasel-MT), se reuniram com os deputados e os
secretários para apresentar seus anseios.
“O Governo do Estado sozinho não
aguenta isso, mas medidas do Governo Federal somadas com o Governo do Estado,
como foi o caso, hoje, do Ser Família, que o Governo Federal dá em torno de R$
250, e nós entrando com R$ 150 você já chega a R$ 400, e a coisa começa a fazer
diferença. A mesma coisa nós vamos ter que fazer com os empregos. Tem o Pronamp
que é federal, o Fugetur que é federal, eles têm que ser ampliados, tem que
poder dar direito a pegar dinheiro novo, e aqui o que foi feito pela Desenvolve
nós temos que aumentar os recursos, nós temos que diminuir o ICMS desses
setores que estão atingidos”, defendeu.
Segundo Avalone, em Mato Grosso,
90% da arrecadação estadual vem de apenas 10% das empresas, e são os outros 90%
que estão mais sofrendo as consequências da crise econômica em decorrência da
pandemia. “Nós temos uma pauta extensa. A médio prazo e a longo prazo. Esses
empréstimos que estão sendo dados, tanto do Governo Federal quanto do Governo
do Estado, para essas micro e pequenas empresas, se isso não retomar, se a
vacina não chegar, e eu não estou vendo uma perspectiva de isso ser rápido,
essas pessoas não têm como pagar isso. Então o que vai ter que acontecer? Nós
vamos ter que dar o dinheiro e ver como nós vamos fazer com quem não vai
conseguir pagar lá na frente. Então nós temos que estar preparados para isso.
Não adianta ficar no imediatismo”, afirmou Avalone.

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