2021/03/20

‘Das ligações que recebo, metade é pedindo UTI, e metade é de empresas pedindo socorro’, lamenta deputado

 

O deputado estadual Carlos Avalone (PSDB) classificou o momento pelo qual Mato Grosso – e todo o Brasil – passa como desesperador, em todos os aspectos. Segundo o parlamentar, das ligações que ele recebe, metade é de pessoas pedindo vagas em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para seus familiares, e a outra metade é de donos de empresas pedindo ‘socorro’. Para ele, a única saída é a vacinação, mas esta também segue a passos lentos.

 

 

 “Antes a gente achava que a pandemia era três meses, seis meses, agora nós percebemos que é um ano, dois anos, três anos... não passou, então nós precisamos olhar isso com uma visão de mais médio prazo. Tanto para a economia quanto para a saúde. Eu estou trabalhando, estudando muito isso, acompanhando todos esses setores, e hoje os deputados estão assim, metade das ligações que a gente recebe, que eu recebo, é de gente pedindo UTI, e a outra metade é de empresas pedindo sobrevivência para não ir para a UTI. Então é um drama impressionante que a sociedade está passando e que nós temos que estar 100% ao lado para encontrar soluções que sejam diferentes do normal”, lamentou o deputado na última terça-feira (16).

 

O deputado ainda lamentou a velocidade pequena com que a população está sendo vacinada contra a Covid-19. “Eu só acredito na vacina. O cenário só vai mudar com a vacina. Nós estamos vendo essa quantidade de vacina que está sendo anunciado, mas a gente não vê no dia a dia isso aumentar. Dez milhões de vacinas que foram entregues até agora, que foram vacinados até agora, para um país que precisa de 210 milhões de pessoas e 420 milhões de vacinas, isso é nada. E o que está acontecendo com as variantes? As variantes estão se adaptando ao problema, está pegando em jovem, 40% das UTIs é de pessoas com menos de 40 anos, já tem criança sendo internada em UTI infantil... isso é desesperador”.

 

Em relação à economia, Avalone acredita ser necessário também dar socorro maior às empresas, e entender, inclusive, que muitas delas poderão não conseguir pagar os empréstimos do Governo do Estado. No entanto, o parlamentar garante que é possível dar ‘socorro’ ao setor. Na última terça-feira (17), presidentes de grupos como Sindicato de Bares, Restaurantes e Similares e a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Mato Grosso (Abrasel-MT), se reuniram com os deputados e os secretários para apresentar seus anseios.

 

“O Governo do Estado sozinho não aguenta isso, mas medidas do Governo Federal somadas com o Governo do Estado, como foi o caso, hoje, do Ser Família, que o Governo Federal dá em torno de R$ 250, e nós entrando com R$ 150 você já chega a R$ 400, e a coisa começa a fazer diferença. A mesma coisa nós vamos ter que fazer com os empregos. Tem o Pronamp que é federal, o Fugetur que é federal, eles têm que ser ampliados, tem que poder dar direito a pegar dinheiro novo, e aqui o que foi feito pela Desenvolve nós temos que aumentar os recursos, nós temos que diminuir o ICMS desses setores que estão atingidos”, defendeu.

 

Segundo Avalone, em Mato Grosso, 90% da arrecadação estadual vem de apenas 10% das empresas, e são os outros 90% que estão mais sofrendo as consequências da crise econômica em decorrência da pandemia. “Nós temos uma pauta extensa. A médio prazo e a longo prazo. Esses empréstimos que estão sendo dados, tanto do Governo Federal quanto do Governo do Estado, para essas micro e pequenas empresas, se isso não retomar, se a vacina não chegar, e eu não estou vendo uma perspectiva de isso ser rápido, essas pessoas não têm como pagar isso. Então o que vai ter que acontecer? Nós vamos ter que dar o dinheiro e ver como nós vamos fazer com quem não vai conseguir pagar lá na frente. Então nós temos que estar preparados para isso. Não adianta ficar no imediatismo”, afirmou Avalone.



Olhar Direto 

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