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| Trabalhador morreu após ser soterrado em silo de soja em Mato Grosso e outro foi resgatado com vida — Foto: Corpo de Bombeiros de Mato Grosso |
A Justiça determinou, nesta
quarta-feira (26), que a empresa onde o trabalhador Rodrigo Chaves Souza, de 26
anos, morreu soterrado, em maio deste ano, adote medidas de segurança para
impedir novos acidentes em Nova Maringá, a 392 km de Cuiabá.
A decisão provisória de urgência
é do juiz Müller da Silva Pereira a pedido do Ministério Público do Trabalho
(MPT-MT).
Na ação, o MPT apontou que que
houve negligência da empresa quanto à adoção das medidas obrigatórias de
prevenção de acidentes e gravíssimas irregularidades na capacitação dos
trabalhadores que atuam em altura e em espaços confinados para armazenamento de
grãos.
O G1 entrou em
contato com a empresa Safras Armazéns Gerais, mas até a publicação desta
matéria não obteve retorno.
O Ministério Público do Trabalho
afirmou que reuniu provas de que a empresa mantém trabalhadores sem registro em
Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS), contratando-os como
diaristas, e não fornece treinamento de segurança, permitindo que fiquem em
situação de vulnerabilidade.
De acordo com o MPT, à época do
acidente, a empresa não emitiu a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT),
documento obrigatório nesses casos. “Tendo o feito tão somente, e de forma
parcial, em relação ao trabalhador falecido, deixando de ser emitida a CAT
quanto ao trabalhador sobrevivente, que também foi vítima de acidente de
trabalho”, diz em trecho da ação.
Ainda segundo o MPT não havia
procedimentos de trabalho, não havia permissão e supervisão de entrada e equipe
de resgate treinada e preparada para salvar os trabalhadores. “Ou seja, todas
as medidas inicias de segurança deixaram de ser tomadas. Em suma, foi uma
tragédia que estava esperando acontecer”.
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Trabalhador foi resgatado com
vida depois de ser soterrado por soja em Nova Maringá, mas perdeu o irmão —
Foto: Corpo de Bombeiros de Mato Grosso
Acidente
No dia 28 de maio deste ano,
Rodrigo e o irmão Marcos Chaves de Souza, de 18 anos, foram soterrados no silo
de soja onde trabalhavam no armazém.
Marcos foi resgatado com vida por
policiais do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer). Já Rodrigo não foi
localizado vivo.
Para encontrar o corpo do
trabalhador, o armazém precisou ser esvaziado.
Decisão
Na decisão, o juiz que a empresa
pode ser multada de R$ 10 mil a R$ 50 mil por constatação ou por trabalhador
encontrado em situação irregular caso não adote as devidas medidas de segurança
determinadas.
O magistrado também determinou
que o armazém identifique, isole e sinalize o espaço confinado para evitar a
entrada de pessoas não autorizadas. A Safras deverá se abster de realizar
trabalhos em espaço confinado sem a emissão prévia, por escrito, da Permissão
de Entrada e Trabalho, na forma da Norma Regulamentadora (NR) nº 33, do
Ministério da Economia.
Conforme a decisão, a empresa não
poderá mais manter seus funcionários em espaço confinado e sem a prévia
capacitação. O armazém também deverá proibir e impedir que trabalhos em altura
sejam planejados, organizados e executados por trabalhador que não seja
capacitado e autorizado para tal atividade.
A decisão prevê, ainda, a
obrigatoriedade de realização de treinamento para trabalho em espaços
confinados e em altura. Além disso, a empresa deverá elaborar e implementar
procedimentos de emergência e resgate adequados ao espaço confinado, inclusive,
com exercício simulado anual de salvamento nos possíveis cenários de acidentes.
Por G1 MT
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