A prefeitura entendeu que se
tratava de placa publicitária e aplicou a primeira multa, de 1.075,00 reais pela
falta do pagamento de uma taxa municipal.
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Uma simples placa instalada nas
obras de um aterro sanitário rendeu à dona do empreendimento multas que somam
R$ 1,5 trilhão, em Araçariguama, interior de São Paulo. O valor das multas
aplicadas pela prefeitura equivale à receita total do município durante 150
anos e seria suficiente para zerar a dívida externa brasileira. A empresa
Proactiva Meio Ambiente entrou com mandado de segurança. Na última sexta-feira,
31, o juiz Diego Ferreira Mendes, da 2ª Vara Cível de São Roque, deu liminar
suspendendo o pagamento e proibindo novas autuações.
De acordo com o advogado da
empresa, Douglas Nadalini, a placa apenas informava que a obra da Proactiva, o
aterro sanitário de Araçariguama, recebeu licença de instalação da Companhia
Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) em 21 de novembro de 2016, além de outras
informações técnicas. A prefeitura entendeu que se tratava de placa
publicitária e aplicou a primeira multa, de R$ 1.075, pela falta do pagamento
de uma taxa municipal.
Os valores passaram a ser
aumentados em escala geométrica a cada dia de não pagamento. No dia 23 de
março, uma nova multa chegou ao valor de R$ 1.154.379.823.982.40, conforme auto
da prefeitura. Nos dias seguintes houve novas autuações, totalizando R$ 1,5
trilhão. O juiz entendeu que a prefeitura se equivocou ao considerar propaganda
uma placa informativa e se disse convencido da ilegalidade das multas.
O secretário de Comunicação da
prefeitura, Eudes Ricardo, informou que os valores das multas serão
retificados, mas que o município mantém o entendimento de que, apesar de conter
informações técnicas, a placa anuncia futuras instalações que estão embargadas.
Em lei aprovada em fevereiro deste ano, a prefeitura cassou as licenças
anteriores dadas pelo município. Segundo Ricardo, o depósito de resíduos ficará
à margem do Ribeirão do Colégio, opção de abastecimento para a cidade.
O advogado da Proactiva disse que
a questão é política e que a prefeitura não aceita o aterro, que vai receber de
graça o lixo do município, mas paga para exportar seus resíduos para um aterro
de Santana de Parnaíba, cidade vizinha. Durante a campanha eleitoral e na
posse, a prefeita Lili Aymar (PV) prometeu impedir a construção do aterro.
Polêmicas
A prefeita é casada com o
ex-prefeito Carlos Aymar (PV) que durante seu dois mandatos colecionou
polêmicas. Quando assumiu a prefeitura, em homenagem a seu partido, mandou
pintar de verde os prédios e bens públicos, medida depois revertida pela
Justiça. Em 2006, depois de ter seu carro flagrado por excesso de velocidade em
uma rodovia da região, o prefeito deu meia volta e apreendeu o radar móvel. No
ano seguinte, Aymar encaminhou à Câmara dos Deputados proposta de mudança na
letra do Hino Nacional Brasileiro, com a troca da palavra "deitado",
na estrofe composta em 1909 por Joaquim Osório Duque Estrada, para
"abençoado eternamente em berço esplêndido".
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