Assim como Jesus carregou a cruz,
o pernambucano Paulo Cícero de Lima, de 54 anos, também carrega uma, mas não
com destino a sua crucificação e sim a libertação espiritual. Ele saiu de São
Paulo no dia 17 de agosto do ano passado e está a caminho de Cuiabá. Nesta
segunda-feira (27) ele dormiu em um posto de combustível na região da Serra de
São Vicente.
| Paulo já percorreu mais de 1,5 mil quilômetros |
Segundo Paulo Cícero, já foram
percorridos mais de 1.500 KM. Sua caminhada não é para pagar uma promessa e sim
para celebrar sua liberdade depois de ser acusado e cumprir uma pena de 16 anos
pelo crime de latrocínio, o qual ele alega que não cometeu.
“O objetivo da minha desta
caminhada é chegar aos Estados Unidos da América. Estou percorrendo cerca de 50
Km diários, se eu não tivesse quebrado meu pé poderia andar mais”, disse.
ara chegar ao seu destino, Paulo
terá que passar por vários estados brasileiros e depois cruzar as fronteiras de
seis países (Venezuela, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Honduras e México), para
enfim chegar aos solos americanos, em San Diego.
O ato de fé de Paulo chama
atenção de todos por onde ele passa. Sua cruz mede cinco metros de comprimento
por três de largura. Feita de madeira da espécie pino, ela é oca e tem uma
rodinha atrás para auxiliar a locomoção pelos acostamentos das rodovias.
Na sua Cruz, o católico leva
algumas fotografias de pessoas que ele encontrou pelo caminho, as quais além de
posarem ao lado dele fizeram questão de revelar a imagem e colar no objeto que
retrata o episódio mais significativo da história bíblica, onde Jesus percorre
as estações com destino ao Monte Calvário para sua crucificação.
Paulo Cícero de Lima é pedreiro,
ele alega que ficou preso durante 16 anos por um homicídio que nunca cometeu.
Se dizendo um injustiçado e tentando provar a inocência mesmo após obter a
liberdade, fazer sua primeira caminhada de São Paulo a Goiás a pé com uma cruz
de 40 kg nas costas. Segundo ele, o ato foi uma forma de chamar atenção da
Justiça para o seu caso.
Seu primeiro trajeto foi
aproximadamente 1,2 mil km, o qual começou na cidade de São Paulo, passou por
Brasília e terminou em Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia, onde ele
deixou a cruz. Ao todo, foram mais de 30 dias na estrada.
“Eu sonhei que eu estava
carregando uma cruz por um caminho. Andando e carregando ela. No final, eu tive
acesso ao paraíso. Por isso resolvi arrumar a cruz e ir do Tribunal de Justiça
de São Paulo até o Tribunal de Justiça de Brasília. Duas semanas depois eu
consegui a cruz e sai, sem nenhum centavo no bolso”, disse.
Márcio Fidelis, site Dia a Dia do Vale
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