| Tartaruga albina se destaca entre os outros filhotes (Foto: José Medeiros/ Gcom-MT) |
Filhote chama a atenção de
predadores e se torna alvo fácil, diz técnico.
Diferente, animal dificilmente
consegue chegar à vida adulta na natureza.
Uma tartaruga albina se destacou
entre os mais de 100 filhotes nascidos nos últimos dias às margens no Rio das
Mortes, em Ribeirão Cascalheira, a 893 km de Cuiabá, por meio do projeto
Quelônios do Araguaia. Ser diferente, nesse caso, não é bom, segundo o executor
do projeto na região, Gaspar Saturnino Rocha, já que o filhote não consegue
passar despercebido e se torna alvo fácil para os predadores.
Além de enfrentar dificuldades
para se esconder dos predadores, a tartaruga albina ainda é menos resistente
que as outras.
"Não vimos nenhuma delas na
fase adulta na natureza", pontuou Gaspar, que é técnico ambiental do
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
(Ibama), e trabalha no projeto de preservação desses animais.
Outras tartarugas albinas já
nasceram na região, mas isso é considerado raro. Gaspar Saturnino citou que
certa vez uma equipe levou outra tartaruga albina para um cativeiro em Goiás. O
animal recebeu tratamento diferenciado, longe dos predadores, e chegou à fase
adulta.
"Na natureza é difícil ela
sobreviver, principalmente durante o inverno. Em junho e julho, elas não
resistem ao frio e acabam morrendo, pois são mais frágeis do que as
outras", pontuou o coordenador do projeto, que é realizado na Amazônia há
mais de 30 anos e protege os ovos das tartarugas – desde o período de desova
até o nascimento dos filhotes.
Quando a desova acontece muito
perto da água, os técnicos retiram os ovos para evitar que sejam levados para
dentro do rio e os depositam em covas, dificultando a localização por parte de
predadores. Depois de 65 dias, período em que os filhotes começam a nascer, as
covas são abertas e as tartarugas retiradas e soltas na natureza. São mais de
100 ovos em cada cova. Normalmente, são entre 97 e 148 ovos por ninho.
Em outros casos, a equipe do
projeto cerca a área onde os ovos estão depositados e aguarda a eclosão
natural.
| Projeto é desenvolvido no Rio das Mortes, em Ribeirão Cascalheira (Foto: José Medeiros/ Gcom-MT) |
Essa tartaruga albina e os outros
filhotes vivem na Unidade de Conservação Estadual Refúgio de Vida Silvestre, em
Ribeirão Cascalheira, criada pelo governo do estado. Além do técnico do Ibama,
atuam no projeto um técnico da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) e um
técnico cedido pela prefeitura daquele município.
| Animal é mais frágil que os outros (Foto: José Medeiros/ Gcom-MT |
| Áreas de desova são cercados para proteger os ovos de tartarugas (Foto: José Medeiros/ Gcom-MT) |
Pollyana AraújoDo G1 MT
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