| Jairo Magalhães, prefeito de Guanambi, na Bahia (Foto: Divulgação/ Prefeitura de Guanambi)Do G1 BA |
Em documento, gestor disse que
iria entregar chaves do município a Deus.
Jairo Silveira (PSB) afirmou que
a palavra dele é irrevogável.
O prefeito da cidade de Guanambi,
no sudoeste da Bahia, Jairo Magalhães (PSB), publicou um decreto na
segunda-feira (2), primeiro dia útil do ano, que entregou a chaves da cidade a
Deus. No documento, o gestor do município declarou também que a cidade pertence
a Deus. Ele assumiu o cargo no domingo (1º), e esse foi o primeiro ato dele à
frente da prefeitura.
"Declaro ainda que todos os
principados, potestades, governadores deste mundo tenebroso, e as forças
espirituais do mal, nesta cidade, estarão sujeitas ao senhor Jesus Cristo de
Nazaré", afirma o gestor na publicação.
O decreto foi intitulado como
"Entrega da chave
da cidade ao
Senhor Jesus Cristo". Ainda no documento, Jairo Magalhães disse que
"cancela todos os pactos realizados com qualquer outro deus ou entidades
espirituais". Ele conclui o decreto com afirmação de que a palavra dele é
irrevogável.
O prefeito de Guanambi é
empresário e foi eleito com pouco mais de 50% dos votos em primeiro turno. Jair
também já foi vereador, presidente da Câmara de Vereadores e vice-prefeito de
Guanambi.
Por meio de nota, o prefeito de
Guanambi informou que a publicação "não teve a intenção de ferir a
laicidade e que foi inspirada no preâmbulo do texto constitucional, que invoca
o nome de Deus. Jairo Magalhães afirmou ainda que tem harmonia e respeito com todos que professam,
ou não, os mais variados credos.
Na nota, o prefeito também pede
desculpas pelo decreto e disse que não teve a intenção de ofender nenhum
cidadão ou religião. O gestor de Guanambi conclui o esclarecimento com a
afirmação de que a obrigação dele é de "governar para todos, primando pelo
diálogo inter-religioso, sem distinção de qualquer natureza".
Por conta do decreto, o
procurador Rômulo Moreira, do Ministério Público da Bahia (MP-BA), fez uma
representação nesta terça-feira (3), onde solicitou à procuradora geral, Edine
Lousado, que entre com uma ação contra o prefeito Jairo Magalhães. A Procuradoria
Geral de Justiça vai avaliar a representação do procurador e, caso seja aceita,
haverá uma ação direta de inconstitucionalidade no Tribunal de Justiça do
Estado (TJ-BA) para anular o decreto.
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