| Desta vez os invasores do garimpo estão fortemente armados |
Três ações serão tomadas para
combater a nova invasão na Serra da Borda, em Pontes e Lacerda.
O delegado Gilson Silveira, de
Pontes e Lacerda (220 km de Cuiabá), afirmou que os novos invasores do garimpo
ilegal conhecido como Serra da Borda são integrantes de quadrilhas que agiam na
modalidade "Novo Cangaço".
“É um verdadeiro intercâmbio
criminoso. Uma pessoa conhecida como Junão, preso por garimpo ilegal em
Cáceres, está arregimentando pessoas do 'Novo Cangaço'. Eles estão fortemente
armados. Estamos lidando com gente violenta. Há informações de que eles juraram
policiais de morte e ofereceram a cabeça como troféu”, afirmou o delegado.
O "Novo Gangaço" é a
modalidade de assalto a banco em que quadrilhas fortemente armadas invadem
cidades, rendem as forças policiais, fazem reféns e fogem com dinheiro roubado.
Nos últimos meses, este tipo de crime praticamente foi extinto em Mato Grosso.
Na última sexta-feira (30), o
grupo invadiu a área federal, que havia sido desocupada por determinação da
Justiça em novembro de 2015.
Não são simples garimpeiros, ou
pedreiros, gente simples que entraram na serra antes. É um fator novo pela
violência explícita
Eles chegaram ao local em vários
carros e renderam oito seguranças de uma empresa mineradora.
No dia seguinte, policiais
militares foram acionados para resgatar os profissionais, mas acabaram
recebidos a tiros.
Houve confronto e os seguranças
conseguiram escapar. No entanto, os PMs tiveram que recuar.
Conforme o delegado, os bandidos
têm usado táticas de guerrilha para agir e há informações de que estejam
armados com fuzis semiautomáticos 762 e estão em busca de uma metralhadora
calibre .50 para atirar contra blindados e helicópteros.
“Temos informações de que há
integrantes de facções criminosas. Não são simples garimpeiros, ou pedreiros,
gente simples, que entraram na serra antes. É um fator novo pela violência
explícita”.
Medidas
Três ações efetivas nas esferas
administrativa, judicial e policial serão tomadas para combater a nova invasão
na Serra da Borda.
Os ministérios públicos Estadual
(MPE) e Federal (MPF) vão cobrar na Justiça Federal em Cáceres que as forças de
segurança federais retirem os invasores da área e permaneçam no Município e que
a União assuma o patrulhamento da área.
“A gente sabe das dificuldades da
Polícia Federal de Cáceres em manter sozinha a segurança. Também vamos requerer
na ação que a União indenize o município de Pontes e Lacerda pelas mazelas
causadas pelo garimpo ilegal”, explicou o promotor Frederico César Batista
Ribeiro.
Também ficou definido que, nesta
semana, a Polícia Civil e a Polícia Militar vão reforçar a segurança em Pontes
e Lacerda com o envio de força policial especializada e da inteligência. A ideia
é garantir a segurança da população.
“As nossas tropas vão trabalhar
em conjunto para dar o auxílio às forças de segurança federais e vão permanecer
o tempo necessário”, comentou o secretário adjunto de Integração Operacional da
Secretaria de Segurança Pública, coronel Marcos Cunha.
A terceira medida é que o
secretário de Estado de Segurança Pública, Rogers Jarbas, irá até Brasília para
colocar as forças de segurança estadual à disposição dos ministérios da Justiça
e da Defesa para uma operação integrada de reintegração da área invadida, e que
apoiará a Força Nacional e o Exército para a retirada dos invasores,
independente da ação civil pública.
Entretanto, exigirá da Secretaria
Nacional de Segurança Pública (Senasp) que mantenha efetivo suficiente da Força
Nacional no local após a operação, evitando assim novas invasões.
O delegado da Polícia Federal em
Cáceres, Vagner de Moraes Alamino, disse também que vai solicitar reforços no
Departamento de Polícia Federal, em Brasília.
“A PF está muito sensível a essa
causa. A delegacia de Cáceres não tem como atuar sozinha e precisamos de ajuda
de Brasília. A afronta desses invasores é muito grande. O negócio agora está
diferente”.
Mineradora
Na ação civil pública, o promotor
Frederico Ribeiro disse que também pedirá que o DNPM (Departamento Nacional de
Produção Mineral) seja ágil em autorizar a lavra de ouro na Serra da Borda.
Hoje ainda está apenas na fase de estudos.
“Embora a área seja da União, com
tutela particular da mineradora, a indefinição sobre a exploração do minério
tem causado problemas que desencadeiam na Segurança Pública da região, com o
aumento de casos de roubos e furtos causados com a corrida pelo ouro. Antes
tínhamos 160 presos, agora tem 260, 270”
Gcom
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