Cerca de 150 policiais federais
estavam incumbidos de dar cumprimento a
50 mandados judiciais, sendo 18 mandados de prisão cautelar, 25 mandados de
busca e apreensão, 7 mandados de condução coercitiva, abrangendo 14 cidades dos
estados nos quais atuava a OrCrim. Também foram cumpridos o sequestro de 6
aeronaves, 5 imóveis, incluindo um aeródromo, bloqueio de numerários em 68
contas correntes e a apreensão de mais de 35 veículos adquiridos por meio de
práticas criminosas. Até o presente momento, o patrimônio objeto das medidas
constritivas ultrapassa R$ 7,5 milhões.
A droga era internalizada em
território nacional por aeronaves e posteriormente distribuída na Região
Sudeste do país por via terrestre. No decorrer das investigações, foram
realizadas duas prisões em flagrante nas quais três integrantes do grupo foram
presos transportando mais de 800 kg de cocaína originária da Bolívia.
Em Sorriso
teria sido apreendida uma
aeronave. No decorrer da operação foi descoberto que o piloto
teria ido para Sinop, onde
posteriormente acabou preso.
| Gerson Palermo, de piloto de avião comercial a sequestrador de voos comerciais e traficante internacional (Foto: André Bittar) |
Segundo o site Campograndenews a organização criminosa seria
chefiada Gerson Palermo, 59 anos,
que já foi detido por organizar e executar o sequestro de um avião que fazia a
rota Foz do Iguaçu (PR) e São Luís (MA), em 2000, e liderou o PCC (Primeiro
Comando da Capital) em Mato Grosso do Sul.
Palermo é piloto de avião e
acumula passagens pela polícia desde 1991, quando foi preso em Campinas (SP)
transportando drogas. A chamada Operação Mingau, que apreendeu 500 quilos de
cocaína e 200 tonéis de substâncias químicas usadas na fabricação de drogas,
apreendeu na ocasião carros, caminhões, casas e fazendas do acusado, além de
lhe deixar sete anos preso.
Em 16 de agosto de 2000, no
entanto, Palermo alcançou o topo do crime organizado ao liderar o sequestro de
um Boeing-737-200 da Vasp, que fazia a rota Foz do Iguaçu a São Luís.
Com 61 passageiros e seis
tripulantes, o voo foi desviado na ocasião por oito homens armados para uma
pista de pouso em Porecatu, no interior do Paraná, a cerca de 70 km de Londrina
(PR).
Os sequestradores levaram na
ocasião R$ 5 milhões que estavam no compartimento de cargas do avião. Depois de
abandonada pelos ladrões, a aeronave, que faria ainda paradas em Curitiba, Rio,
Brasília e São Luís (MA), acabou pousando em Londrina.
A prisão de Palermo aconteceu 14
dias depois, em Campo Grande, onde cumpria o restante da pena domiciliar pela
primeira detenção.
Desde o ousado sequestro do
avião, Palermo iniciou sua caminhada no crime organizado sul-mato-grossense.
Em 2005, cumprindo sua pena por
30 anos pelo caso do avião no presídio da Gameleira, na Capital, iniciou uma
série de rebeliões no local, uma delas no dia das mães, onde cerca de sete
desafetos foram executados com requintes de crueldade.
Foi nesta época que assumiu o
posto de principal contato da liderança paulista do PCC com o Estado e
inclusive ajudou na escritura do novo testamento da facção.
Em setembro de 2007, Gerson
Palermo voltou às páginas policiais, após ser preso pela como líder de uma
quadrilha que traficava 1 tonelada de maconha. Na apreensão, os policiais
encontraram 511 tabletes escondidos na carroceria de um caminhão sob uma carga
de caixas de papelão, entre Campo Grande e Sidrolândia.
Um ano depois, estava de volta às
manchetes acusado pela Polícia Civil de ser o mentor de nova série de rebeliões
nos presídios locais.
Diante de todo esse histórico,
Palermo causou revolta quando, em novembro de 2010, o juiz substituto da 1ª
Vara de Execução Penal, Albino Coimbra Neto, concedeu o direito de ele
responder toda a pena restante, de 66 anos e 9 meses de prisão, em regime
semi-aberto.
Segundo a PF, é ele quem
movimentava o patrimônio de R$ 7,5 milhões apreendido na operação desta manhã,
em Corumbá (a 419km de Campo Grande), onde funciona a sede das operações. O
dinheiro foi obtido, principalmente pelo tráfico internacional de drogas e
lavagem de dinheiro em Mato Grosso do Sul, Paraná, São Paulo, Goiás, Mato
Grosso e Minas Gerais.
Segundo divulgado preliminarmente
pelos agentes, o esquema da quadrilha envolvia a revenda de drogas de Corumbá
para Campo Grande; Curitiba, Londrina, Campina da Lagoa e Ibiporã (PR); Sorriso
(MT); Goiânia (GO); Ribeirão Preto (SP) e Monte Carmelo (MG).
Com informações do Campo Grande
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