A Justiça Federal em Cáceres
(MT), atendeu o pedido do Ministério Público Federal (MPF), por meio da unidade
situada no município, e suspendeu o sigilo das Ações Civis de Indenização por
Dano Material, Enriquecimento Ilícito e Indisponibilidade de Bens que envolvem
um deputado estadual em Mato Grosso e o ex-prefeito de Salto do Céu/MT, que
tiveram como base as informações colhidas por meio de investigações e documentos
apreendidos durante a Operação Trapaça, realizada em fevereiro de 2019, pela
Polícia Federal.
A operação foi realizada após a
identificação de fraudes em processos licitatórios nas Prefeituras de Salto do
Céu, município localizado a 383 km de Cuiabá, e de Nova Lacerda, a
aproximadamente 540 km da capital do estado. As empresas vencedoras dos
certames tinham participação do deputado estadual Valmir Moretto
(Republicanos), quando ainda era prefeito do município de Nova Lacerda, e do
então Prefeito de Salto do Céu, Wemerson
Adão Prata (Progressistas).
As ações de Indenização por Dano
Moral e de aplicação da Lei Anticorrupção às empresas participantes do esquema
fraudulento (nº 1003164-17.2021.4.01.3601), por Improbidade Administrativa (nº
1003149-48.2021.4.01.3601), e a Petição Cível, com indisponibilidade de bens
(nº 1003150-33.2021.4.01.3601) só foram divulgadas agora pelo MPF, pois
aguardava-se a decisão de retirada de sigilo destas e também o protocolo da
representação em desfavor do deputado Valmir Moretto à Assembleia Legislativa
de Mato Grosso, que ocorreu no dia 24 de janeiro.
Atualmente as ações estão no
seguinte estágio:
Ação de Indenização por Dano
Moral e de aplicação da Lei Anticorrupção (nº 1003164-17.2021.4.01.3601) - foi
deferida indisponibilidade no valor de R$ 684.448,32, fase de citação dos réus
para apresentar contestação;
Improbidade Administrativa e
Enriquecimento Ilícito (nº 1003149-48.2021.4.01.3601): fase de intimação dos
réus para apresentar defesa prévia;
e a Cautelar Cível
1003150-33.2021.4.01.3601: determinada a indisponibilidade dos bens dos
requeridos, até o limite de R$ 1.586.899,02 (um milhão quinhentos e oitenta e
seis mil oitocentos e noventa e nove reais e dois centavos); foram interpostos
Agravos de Instrumento perante o TRF1, que reduziu o valor para R$ 793.449,51
(setecentos e noventa e três mil, quatrocentos e quarenta e nove reais, e
cinquenta e um centavos).
Operação Trapaça
A operação foi realizada no dia
26 de fevereiro de 2019, com o objetivo de combater fraudes a licitações e
desvio de recursos públicos. Na época foram cumpridos 13 mandados de busca e
apreensão em órgãos públicos, empresas e residências, localizados nos
municípios mato-grossenses de Salto do Céu, Cáceres, Curvelândia e Nova
Lacerda. Os mandados foram expedidos pelo TRF da Primeira Região, com sede em
Brasília, pois envolvia investigados com foro privilegiado.
A operação, que se iniciou a
partir de encaminhamento de documentos da Controladoria Geral da União (CGU) ao
Ministério Público Federal (MPF), teve como objetivo acumular mais provas
relacionadas aos crimes de fraude a licitações e desvio de recursos públicos
praticados por suposta organização criminosa atuante no município de Salto do
Céu e outros da região.
Uma das fraudes constatadas
durante as investigações foi a identificação de uma empresa fantasma criada em
nome de laranja para participar, em conluio com outras empresas de pequeno
porte, de processos licitatórios realizados pela prefeitura de Salto do Céu. As
empresas investigadas concorriam entre si para dar aparência de legalidade,
viabilizando as fraudes.
Em poucos meses de atuação, a
empresa de fachada já havia ganhado mais de R$ 2 milhões em contratos de
licitações fraudadas, enquanto foi identificado que o seu sócio principal
possuía um salário de apenas R$ 1,2 mil como tratorista.
Durante as investigações, também
foi identificado que uma empresa pertencente a familiar de funcionário público
ganhou várias licitações, possivelmente com favorecimento pessoal ou em razão
de informação privilegiada.
Além das fraudes a licitações,
conforme as provas dos autos, partes dos serviços de obras públicas contratados
foram prestados com a utilização de maquinário e pessoal da prefeitura de Salto
do Céu.
O nome da operação se refere ao
próprio significado da palavra TRAPAÇA, em alusão às ações ardilosas e de má-fé
adotadas para direcionar obras e serviços para empresas do grupo alvo das
investigações. (Com informações da Ascom da PF/MT)
Caldeirão politico
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