Com apoio da Polícia Civil
acreana,o homem de 55 anos foi preso em Rio Branco. Ele usava documentos falsos
Com apoio da Polícia Civil
acreana,o homem de 55 anos foi preso em Rio Branco. Ele usava documentos falsos
Raquel Teixeira/Polícia Civil-MT
O último foragido da Justiça,
investigado por uma chacina ocorrida há 18 anos em Várzea Grande, foi preso
pela Polícia Civil de Mato Grosso, nesta quarta-feira (09.02), em Rio Branco,
capital do estado do Acre, com apoio da Polícia Civil daquele estado.
J.J.L., de 55 anos, foi
localizado após um trabalho investigativo realizado pelo Núcleo de Inteligência
da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Cuiabá (DHPP), que monitorou
o foragido e passou os dados do paradeiro dele aos policiais civis do Acre, que
efetuaram a prisão.
No momento da abordagem, o
foragido apresentou documentos falsificados em nome de seu irmão. Conforme a
investigação, ele já havia morado nas cidades de Brasiléia e Plácido de Castro,
ambas no interior do Acre.
Ele era o único dos investigados
pelo crime que ainda estava fora da prisão, desde o homicídio ocorrido em uma
fazenda, às margens da BR-364, em 2004, quando quatro pessoas foram mortas por
funcionários da propriedade. O caso ficou conhecido como a “Chacina da Fazenda
São João.
Com esta última prisão realizada
no Acre, todos os responsáveis pela chacina da Fazenda São João estão detidos.
Prisão no ano passado
Em abril de 2021, a DHPP, com
apoio da Polícia Civil de Sergipe, prendeu E.G.J, foragido há 17 anos. Ele foi
localizado na praia de Atalaia Nova, no município de Barra dos Coqueiros, onde
estava residindo há quatro anos. Conforme a polícia sergipana, no momento da
prisão, E.G.J. apresentou diversos documentos falsos e confessou que os
adquiriu para tentar fugir da polícia.
Chacina
O quádruplo homicídio ocorreu em
março de 2004, na fazenda São João, localizada às margens da BR-163, próxima ao
Trevo do Lagarto, em Várzea Grande.
A DHPP identificou oito
envolvidos no crime, todos funcionários da propriedade, que foram indiciados
por homicídio qualificado (cometido por motivo fútil, uso de meio cruel e sem
chance de defesa), ocultação de cadáver e formação de quadrilha. O Ministério
Público Estadual ofereceu denúncia à Justiça ainda em 2004.
As vítimas, Pedro Francisco da
Silva, José Pereira de Almeida, Itamar Batista Barcelos e Areli Manoel de
Oliveira foram mortas por funcionários da fazenda. Uma vítima foi morta por
disparo de arma de foto e três delas foram amarradas e torturadas, antes de
serem mortas por afogamento. Depois de mortos, os quatro tiveram os corpos
jogados em diferentes pontos, em uma área da localidade de Capão das Antas, a
fim de dificultar o trabalho investigativo da polícia.
O inquérito conduzido à época
pela equipe do delegado Wylton Massao Ohara apurou que as quatro vítimas foram
à fazenda para pescar em um dos tanques de peixe da propriedade, na manhã do
sábado de 20 de março. Conforme a investigação, os amigos teriam ido ao local
na intenção de pescar para consumo de suas famílias, quando foram surpreendidos
pelos seguranças da fazenda e mortos.
Como os quatro não retornaram
para casa, no dia seguinte, as famílias procuraram a polícia e teve início a
busca pelas vítimas. Ainda no domingo, a Polícia Militar localizou as quatro
bicicletas próximas à cerca da fazenda. Após diversas buscas, os corpos foram
localizados em uma área fora da fazenda, a fim de ocultar o crime e dificultar
a investigação.
De acordo com depoimentos
colhidos pela DHPP, um dos funcionários confirmou que ele e outros dois seguranças
da fazenda encontraram os quatro rapazes no final da tarde do sábado, pescando
no tanque de piscicultura e atiraram contra as vítimas. Uma delas correu para o
mato para se esconder, mas foi morta com um disparo no abdômen feito por um dos
seguranças.
As outras três vítimas foram
rendidas e então o segurança, que foi preso agora em Sergipe, teria ligado para
o gerente da fazenda dizendo que "três capivaras estavam presas e uma
estava morta e que aguardavam a faca para arrancar o coro das que estavam vivas".
As versões constam na reprodução
da chacina, realizada pela Polícia Civil em maio de 2004, por solicitação do
Ministério Público, da qual participaram dois dos investigados. Os dois
envolvidos confirmaram que as vítimas foram amarradas e jogadas no lago em que
pescavam e que demoraram pelo menos 20 minutos para morrer.
Raquel Teixeira/Polícia Civil-MT
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