Os fiscais que atuam no combate
ao desmatamento da floresta amazônica, no cerrado e no Pantanal em Mato Grosso
enfrentam uma rotina dura de trabalho. Além disso, o trabalho exige muito tempo
dedicado às investigações, já que as táticas de atuação dos desatadores mudam
constantemente.
No entanto, os fiscais afirmam
que a satisfação em ver a floresta em pé é o combustível para seguir na jornada
em defesa do meio ambiente. Essa é a constatação dos fiscais de campo da
Superintendência de Fiscalização da Secretaria Estadual de Meio Ambiente
(Sema).
Neste domingo (6), o Brasil
comemora o Dia do Agente de Defesa Ambiental e o analista de Meio Ambiente,
Fernando Luiz Mews, que atua na fiscalização, compartilhou que os infratores
cada vez mais pensam em novas estratégias para complicar o trabalho dos agentes.
Segundo o fiscal, uma das táticas
é a de inverter o desmatamento, ou seja, começar pelo meio da floresta para
depois chegar na ponta e atuar os responsáveis.
Em sua experiência, Luiz
constatou que os infratores não começam a desmatar na beira da estrado. Segundo
ele, são abertas trilhas estreitas na mata, depois são levadas motosserras em
garupa de motos para iniciar a derrubada das árvores.
O fiscal conta que a trilha é
estreita, ou seja, para entrar a caminhonete à beira da estrada e seguir a pé,
se embrenhando mata adentro. Além disso, os fiscais estão sujeitos a picadas de
mosquitos, animais peçonhentos e a umidade intensa são companheiras no percurso
até o ponto do desmate.
“Até o local da infração, a
caminhada pode levar de quatro a cinco quilômetros. Agora, você imagina ter que
percorrer isso a pé e com equipamentos pesados nas costas. Com toda umidade da
floresta amazônica, você transpira muito. É um trabalho muito perigoso e
exaustivo, mas eu gosto. Me dá satisfação, porque eu consigo ver na prática os
resultados do combate ao desmatamento ilegal”, afirma.
No entanto, além dos perigos da
mata, os ficais também precisam lidar com os infratores, muitos deles andam
armados. Por isso, os agentes da Sema contam com apoio do do Bope, Força Tática
e GOE.
Surpresas desagradáveis
O maior perigo, segundo o fiscal,
são as armadilhas deixadas pelos infratores. Uma delas são árvores cortadas
pela metade com a motosserra. "Essas árvores não caem naquele momento.
Provavelmente vão cair no outro dia, com os ventos mais fortes pela manhã. E
isso pode ser fatal para os fiscais”, alerta e conta que o caso já aconteceu
com ele.
Monitoramento
Para fortalecer o trabalho no
campo, o centro de comando conta com tecnologia de ponta para recebe os alertas
de maneira automática por meio do monitoramento de detecção do desmatamento
Deter, do governo federal. Além disso, Mato Grosso conta ainda com o sistema de
satélites Planet, que foi adquirido pela Sema, através do programa REM Mato
Grosso. A partir disso são traçados os locais em que são necessário atuar para
frear o desmatamento, detalha.
G1 MT
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