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O HNT/HiperNotícias teve acesso
aos vídeos que mostram o momento em que o caminhão “recheado” com 86 celulares
entra na Penitenciária Central do Estado (PCE), no dia seis de junho. Na
filmagem, é possível ver o carro que carrega o eletrodoméstico passando pelo
portão da unidade prisional, que é aberto por policiais militares.
Em um segundo vídeo, dois agentes
da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) encaminham três policiais à
paisana para fora da PCE. Os policiais militares que compõem o trio são Kleber
de Souza Ferreira, Ricardo de Souza Cavalhaes de Oliveira e o cabo Denizel
Moreira dos Santos Júnior.
De acordo com a decisão da juíza
Ana Cristina Mendes, da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, os policiais da GCCO
foram à PCE buscar detentos para deporem sobre a Operação Mantus, que investiga
duas organizações criminosas do jogo do bicho no Estado.
Ao chegarem à PCE, os agentes da
Polícia Civil se depararam com o freezer, que tinha 86 celulares em seu
interior, e, ao questionar os policias da unidade prisional sobre o
eletrodoméstico, os PMs não souberam explicar como o veículo entrou na
penitenciária.
Dessa forma, o vídeo que mostra o
trio de agentes à paisana seguindo dois policiais é o registro do momento em
que os investigadores da GCCO levam o trio de PMs para prestarem depoimento
sobre a apreensão na gerência.
Entenda o caso
No dia 6 de junho, na
Penitenciária Central do Estado (PCE), foram localizados 86 aparelhos
celulares, dezenas de carregadores, chips e fones de ouvido. Todo o material estava acondicionado dentro
da porta de um freezer, que foi deixado naquela unidade para ser entregue a um
dos detentos.
Equipes da GCCO estiveram na PCE
e verificaram que não havia nenhum registro de entrada ou mesmo informações
acerca da entrega do referido eletrodoméstico.
Diante dos fatos e da inconsistência das informações, todos os agentes
penitenciários presentes foram conduzidos até a Gerência e questionados sobre
os fatos. No mesmo dia, a autoridade policial determinou a apreensão das
imagens do circuito interno de monitoramente da unidade, que foram extraídas
por meio da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).
Por meio dos depoimentos, da
análise das imagens e conteúdo de aparelhos celulares apreendidos e ainda, da
realização de diversas diligências, foi possível identificar e comprovar de
maneira robusta, que três policiais militares, dentre eles um oficial de
carreira, foram os responsáveis pela negociação e entrega do freezer recheado
com os celulares.
Com a ciência do diretor e do
subdiretor da unidade, os militares enviaram o aparelho congelador que era
destinado a um dos líderes de uma facção criminosa atuante no Estado.
Ao longo das investigações, a
Polícia Civil conseguiu comprovar que nomesmo dia, duas horas antes do freezer
ser interceptado, os três militares e os diretores da unidade, participaram de
uma reunião a portas fechadas com o preso líder da organização criminosa, por
mais de uma hora, dentro da sala da direção. "Toda a dinâmica dos fatos
foi registrada pelas imagens da unidade prisional”, aponta o relatório da
investigação.
No decorrer das investigações,
ficou constado ainda que o veículo utilizado para a entrega do freezer, na
unidade, pertence a outro reeducando, que também é considerado uma das
lideranças da mesma facção. Esse reeducando divide cela com o destinatário do
equipamento.
Além das prisões preventivas dos
servidores públicos e dos líderes da facção criminosa, serão cumpridas medidas
de busca e apreensão nas dependências da Penitenciária Central do Estado.
O inquérito será concluído nos
próximos 10 dias. Os investigados poderão responder pelos crimes de integrar
organização criminosa, corrupção passiva e ainda por facilitação de entrada de
celulares em estabelecimento prisional.
HiperNotícias
Por: KHAYO RIBEIRO

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