![]() |
O camaro vermelho, placa ETG
0238 de Colíder (MT) é um dos bens da quadrilha
Até o momento, a Operação
Polygonum, realizada pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso e
Delegacia Especializada de Meio Ambiente, contabilizou mais de 20 prisões e
dezenas de buscas e apreensões. A primeira delas ocorreu na Secretaria de
Estado de Meio Ambiente (SEMA) e resultou na prisão do Superintendente de
Regularização e Monitoramento Ambiental, João Dias. No local também foram
apreendidos dezenas de documentos e processos, além do espelhamento da base de
dados do órgão ambiental. O material está sendo analisado e periciado pelos
peritos da POLITEC e por analistas ambientais do IBAMA.
Ao todo, foram cumpridos 09
mandados de prisão temporárias e 12 mandados de busca e apreensão decretados
pelo Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso. Sete investigados foram
liberados após prestarem esclarecimentos, sendo que um investigado permanece
foragido.
Foram apreendidos três veículos,
entre eles uma caminhonete Hillux (em Cuiabá) e um Camaro (em Colíder), além de
dinheiro em espécie, e ainda munições de arma de fogo, no município de Sinop.
Segundo o MPMT, já foi proposta
ação penal contra seis investigados, incluindo duas empresas de consultoria
ambiental, pela prática de crimes ambientais (como desmatamentos ilegais,
falsificações e inserções de dados falsos em procedimentos ambientais) e por
organização criminosa.
Estão sendo investigados
aproximadamente 600 Cadastros Ambientais Rurais suspeitos de terem sido
fraudados. Nesta terceira fase da Operação, o IBAMA identificou fraudes em
diversos Cadastros, que foram aprovados pela SEMA de forma ilegal. Trata-se de
trabalho de inteligência que demanda conhecimentos técnicos na área de
geotecnologias e processamento de informações tecnológicas.
Foram apuradas diversas formas de
fraudes, sendo uma delas por deslocamento de polígonos. Nessa modalidade, por
exemplo, o engenheiro contratado pelo proprietário apresenta informações falsas
para o órgão ambiental, deslocando a localização do imóvel rural desmatado para
local onde há cobertura florestal. Esse procedimento é feito no sistema da SEMA
e a área se mostra com aparência de legalidade. O órgão ambiental, cooptado,
aprova o Cadastro. Estando tudo regular é possível expedir APF (Autorização
Provisória de Funcionamento), indicando total regularidade ambiental. Com esse
documento pode-se obter financiamentos em instituições bancárias, dispensa nos
pagamentos de reposição florestal e anistias de multas por desmatamentos
ilegais (que em áreas de floresta amazônica é de R$ 5.000,00 por hectare). Em
um exemplo hipotético, uma fazenda que tenha desmatamentos de 200 hectares pode
deixar de pagar, apenas a título de multas, R$ 1.000.000,00.
Outra modalidade é mediante o
desmembramento de propriedades. Para o Código Florestal os imóveis com menos de
4 módulos fiscais em determinadas hipóteses não precisam reconstituir
desmatamentos ilegais. Com isso, uma propriedade é subdividida em diversos
imóveis menores para ficar dispensado de obrigações ambientais. A SEMA tem
autorizado, por exemplo, que uma fazenda que possua várias matrículas tenha os
Cadastros Ambientais individualizados para cada uma delas. Assim, caso o mesmo
imóvel possua 10 matrículas poderá apresentar 10 Cadastros e cada um deles é
analisado individualmente, recebendo benefícios que seriam destinados apenas
aos pequenos produtores (como, por exemplo, não precisar de áreas florestadas
no imóvel, ter diminuídas as áreas de preservação em beiras de rios, receber
anistias etc.).
Com a fraude da fragmentação a
grande propriedade é subdividida em diversos imóveis menores. Na prática é uma
grande fazenda mas para a atual sistemática passam a ser diversos pequenos
imóveis autônomos e independentes, nos quais os desmatamentos criminosos são
legalizados ou se autorizam a abertura de novas áreas em locais não passíveis
de exploração agropecuária.
Como não há auditoria nos
trabalhos de aprovação do CAR tudo se resolve mediante ajuste de proprietários,
engenheiros e alguns servidores do órgão ambiental.
Segundo os dados do CCIR
(Certificado de Cadastro de Imóvel Rural do INCRA) Mato Grosso possui
aproximadamente 155 mil imóveis rurais. Aproximadamente 80.000 apresentaram o
CAR, sendo que o prazo final para entrega sem a incidência de multa é o dia 31
de dezembro de 2018. Por mês são analisados pouco mais de 1000, sendo que
grande parte acaba voltando com pendências. Em alguns casos essa morosidade
vinha estimulando a corrupção para se furar a fila dando-se prioridades a quem
não faz jus ao benefício mediante esquema do então responsável pelo setor.
Também tem se apurado as chamadas
“fraudes em tipologia”. Nessa modalidade o proprietário contrata um engenheiro
para fraudar relatórios ambientais. O imóvel localizado em bioma amazônico, por
exemplo, pode ser desmatado em apenas 20%. Contudo, se a tipologia florestal
for de Cerrado o proprietário tem direito a desmatar 65%. Com um relatório
falso aprovado pela SEMA é possível desmatar mais do que o triplo permitido
pelo Código Florestal. Assim, uma fazenda de 10.000 hectares localizada no
bioma amazônico poderá desmatar 4.500 hectares a mais com o relatório fraudado
aprovado pela SEMA. Essas informações ficam registradas no sistema e, com o uso
de imagens satélite, podem ser auditadas em qualquer momento, mesmo após os
desmatamentos.
Autoridades, engenheiros e
empresários têm se apresentado espontaneamente para esclarecer fatos praticados
com irregularidades, auxiliando as investigações e evitando a deflagração de
novas medidas cautelares.
Outros fatos têm sido apurado que
identificam a fragilidade no sistema, indo desde a contratação de servidores
mediante indicações políticas, falta de atualização dos dados geoespaciais da
SEMA, vulnerabilidades no módulo de análise, ausência de maior transparência e
compartilhamento insuficiente de informações entre servidores, defasagens nas
estruturas de tecnologia, ausência de metas, necessidade de ajustes na
legislação e uniformização de procedimentos. O Ministério Público e DEMA estão
em tratativas com a atual gestão da SEMA e equipe de transição do novo governo
para firmar Termo de Ajustamento de Conduta com o objetivo de adotar medidas
visando fechar o cerco contra a corrupção.
| Caminhonte Hillux apreendida pela operação em Cuiabá |
Fonte: Assessoria PJC/MT
TV Noticias

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Todos os recados postados neste mural são de inteira responsabilidade do autor, os recados que não estiverem de acordo com as normas de éticas serão vetado por conter expressões ofensivas e/ou impróprias, denúncias sem provas e/ou de cunho pessoal ou por atingir a imagem de terceiros.