O Direito vem passando por um
aumento considerável de profissionais no mercado e a OAB é frequentemente
citada como um órgão que faz certa reserva de mercado. Como a Ordem se
posiciona com relação a essa abertura excessiva de cursos de Direito no Brasil?
“A OAB-MT não é consultada, mas
somos totalmente contrários a essa profusão de cursos. Principalmente à
pedagogia do curso, pois muitas vezes são maus profissionais, que ministram
aulas para alunos que muitas vezes nem sabem o que estão fazendo lá. A razão do
exame da Ordem ser bastante seletivo - vamos dizer assim - não duro, mas
seletivo, é para justamente colocarmos na entidade profissionais, pessoas
realmente comprometidas com aquilo que se propuseram a fazer”.
E o aluno que pagou suas
mensalidades em dia, obteve boas notas em todas as disciplinas, se formou e não
conseguiu passar no exame da Ordem. Após inúmeras tentativas frustradas, esse
sujeito pode processar a instituição de ensino por não ter tido um aprendizado
suficiente?
“Essa condição não existe, é
aquela história: ‘você não estudou, você não vai passar’. Como em qualquer
concurso, você sabe que terá concorrência, somente esta palavra já pode dar
certo desconforto. Concordo que realmente existam alunos com boas notas e que
não passam, mas eles precisam se conscientizar de que é preciso estudar
corretamente e ir com tranquilidade para a prova para poder passar. Não existe
outro sistema. Já tentaram outros meios, já tentaram ações, mas não procede.
Mesmo que a faculdade não tenha notas boas (em critérios governamentais), não
fazemos avaliação da faculdade, mas sim do aluno”.
A OAB-MT percebe qualidade
inferior no ensino de Direito nas faculdades privadas?
“Na realidade precisamos analisar
o aluno, pois se ele quer fazer um bom curso ele estuda independente da escola
ser boa ou ruim. Agora, existe a turminha do ‘oba oba’, que quer fazer
faculdade para dizer que fez curso de Direito, que é advogado (às vezes nem advoga
nada) e muitas vezes (ou na maioria das vezes) fazem o exame e não passam, pois
não tem a mínima condição, sem conhecimento. Então é o aluno que faz sua
condição, se ele quer a orientação da escola já o coloca nos trilhos para que
ele termine o curso e ingresse na Ordem”.
Existe um acompanhamento da
OAB-MT em termos de qualidade do ensino?
“Não, não, deixamos isso para
competência do Ministério da Educação (MEC)”.
A OAB-MT não tem interesse em
analisar a grade curricular destes cursos?
“Acho que o Conselho Federal faz
esse tipo de trabalho, não tenho conhecimento profundo a respeito, mas creio
que eles tenham comissões que trabalham neste sentido”.
O exame da Ordem não quer saber
se o concorrente é rico ou pobre, bonito ou feio, certo?
“Não quer saber, não existe
diferença, o exame é um só”.
É único para todo o país, certo?
“Sim, os exames da Ordem são
feitos no Brasil todo são o mesmo, é unificado. O que significa que não adianta
você dizer que vai deixar Mato Grosso para tentar o exame em São Paulo, por
exemplo, não existe. Antigamente não era unificado e existia certa facilidade
em alguns Estados, mas aqui nunca houve facilidade”.
Advocacia não é brincadeira, não
é, João Beneti?
“É, veja bem... acho que como em
toda área, para ser um bom profissional você precisa estudar, compreender a
matéria, para quando te fizerem uma pergunta você saiba exatamente o que está
respondendo. Não adianta chutar também. Você pode até chutar, acertar
determinado número, passar e daí? As questões principais você não acertou e o
que vai acontecer? Você será um péssimo profissional, pois não tem
conhecimento, pois só ele é que vai lhe dar o caminho na vida, lá fora, quando
for advogar”.
Paulo Victor Fanaia Teixeira
Olhar juritico
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