A proposta de reforma
da Previdência que está na mesa do presidente Michel Temer propõe estipular a
idade mínima de 65 anos para a aposentadoria de homens e mulheres no Brasil
tanto para trabalhadores da iniciativa privada quanto para servidores públicos.
No entanto, a transição para essa regra deve ser mais gradual para mulheres e
professores.
De acordo com o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu
Padilha, o ponto de corte para se inserir na nova regra será 50 anos. Ou seja,
os trabalhadores abaixo dessa idade terão que obedecer às novas exigências.
Para a faixa etária de 50 anos ou mais o enquadramento será obrigatório em uma
regra de transição de 40% ou 50% a mais no tempo que falta para a aposentadoria
integral.
“Para preservar, temos que reformar a Previdência. Se não
fizermos nada, a Previdência acaba”, disse Padilha ao Estado. Pelas contas
oficiais, o rombo da Previdência – que fechou em R$ 86 bilhões em 2015 – deve alcançar
R$ 180 bilhões em 2017 e, em breve, não caberá no Orçamento Geral da União.
Os detalhes do texto da reforma só serão divulgados depois
da volta de Temer da China. O projeto seguirá para o Congresso com ou sem
consenso com as centrais sindicais. O governo só conseguirá aprovar as
mudanças, no entanto, se tiver apoio de três quintos da Câmara e do Senado, em
duas votações.
Padilha disse que o governo ainda negocia “com afinco” o
endurecimento das regras na aposentadoria com as centrais sindicais e as
confederações dos empregadores. “São partes indispensáveis neste processo”,
afirmou. “Mas o cidadão deverá orientar o posicionamento de seus
representantes”, completou.
Atualmente, no Brasil, é possível se aposentar por idade ou
por tempo de contribuição. A regra em vigor diz que é possível se aposentar com
65/60 anos (homens/mulheres) se o trabalhador tiver 15 anos de contribuição. Na
aposentadoria por tempo de contribuição, não há fixação de idade mínima, o que
é uma raridade no mundo. A regra diz que é preciso ter 35/30 anos de
contribuição. As idades médias de aposentadoria, neste caso, são de 55/52 anos.
A transição da regra atual para a nova é estimada em 15 anos
para os homens. Mulheres e professores terão um tratamento diferenciado nessa
transição porque o ponto de corte será de 45 anos e não o limite de 50 anos
fixado para os homens. Isso significa que, na prática, para esses dois
segmentos a aposentadoria poderá chegar mais cedo durante a fase de transição.
“Quem realmente tem que ter interesse na reforma da
Previdência? O cidadão brasileiro. Ele é quem tem mais interesse. Quer ter a
garantia de que vai ter direito à aposentadoria e vai receber o valor
correspondente”, disse Padilha.
A proposta também deve estipular um piso para as
aposentadorias por invalidez, que vão deixar de ter benefício integral. O
governo também pretende impedir o acúmulo no recebimento de aposentadoria e de
pensão por morte. Temer orientou que trabalhadores da iniciativa privada e
servidores públicos devem seguir as mesmas regras, embora com institutos
separados.
Estadão
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