Deputados investigaram sete
unidades de saúde administradas por Organizações Sociais de Saúde, entre os
anos de 2011 e 2014
Das cinco Organizações, somente
três continuam à frente da administração de unidades estaduais de saúde, os
demais hospitais, em Colíder,
Alta Floresta, Várzea Grande e Sorriso estão
sendo administrados por meio de intervenção feita pelo governo estadual.
O desperdício de recursos
públicos pode superar R$ 200 milhões em decorrência da má gestão de unidades de
saúde por parte de cinco Organizações Sociais de Saúde (OSSs) em Mato Grosso.
Os dados foram apontados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das OSS,
que apurou que em todas as administrações foram encontrados indícios de
irregularidades decorrentes, na grande maioria, da ausência de fiscalização por
parte do governo estadual. As informações estão presentes no relatório final da
CPI, apresentado à imprensa nesta terça-feira (30), pelo deputado Dr. Leonardo
(PSD)- presidente da comissão.
Os dados são fruto do trabalho
da CPI realizado de agosto de 2015 a agosto deste ano, quando uma equipe de 12
profissionais e cinco deputados estaduais percorreu hospitais regionais de sete
cidades que eram administrados por OSS. Entre os problemas identificados, estão
o não cumprimento das obrigações contratuais, excesso de contratação de pessoas
jurídicas, a chamada “pejotização”, superlotação, irregularidades com relação
aos procedimentos adotados e falta de infraestrutura.
O relatório, que possui mais
de 900 páginas- além de mil páginas digitalizadas, aponta ainda irregularidades
com relação aos repasses feitos pelo governo, que em certos momentos registrou
atrasos e comprometeu o andamento dos trabalhos. Outro problema é com relação à
incoerência entre os valores repassados e os valores registrados no Sistema
Integrado de Planejamento, Contabilidade e Finanças de Mato Grosso (Fiplan).
“Ficou constatada a falta de
controle. Procedimentos desnecessários, desperdício do recurso público e agora
vamos encaminhar o relatório para os órgãos fiscalizadores e reguladores e
cobrar providências com relação aos responsáveis”, garantiu Dr. Leonardo.
Agora, o relatório ficará à
disposição dos deputados estaduais por cinco sessões para que possam
contribuir, pedir informações ou fazer sugestões. Depois, o documento é
encaminhado para Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) e, caso
receba parecer favorável, o documento é votado em Plenário. Com a aprovação, o
documento será encaminhado ao Ministério Público Estadual, Ministério Público
Federal, Governo do Estado e secretarias de Saúde e de Planejamento,
Procuradoria Geral do Estado e Tribunal de Contas do Estado.
Atualmente, das cinco
Organizações, somente três continuam à frente da administração de unidades
estaduais de saúde: em Rondonópolis, Cáceres e Sinop. Os demais hospitais, em
Colíder, Alta Floresta, Várzea Grande e Sorriso estão sendo administrados por
meio de intervenção feita pelo governo estadual.
Instalada em maio de 2015, a CPI
atuou sob a presidência do deputado Dr. Leonardo, e relatoria de Emanuel
Pinheiro (PMDB). Também integraram a Comissãoos parlamentares Pedro Satélite
(PSD), Saturnino Masson (PSDB) e Dilmar Dal’ Bosco (PSDB).
Maior controle
Para reduzir a ocorrência de
irregularidades em contratos na área da saúde, Dr. Leonardo propôs uma parceria
com profissionais do Ministério Público do Estado e do Tribunal de Contas do
Estado para integrarem a comissão permanente de saúde da ALMT. Os profissionais
dariam suporte para auditar os procedimentos realizados na área em “tempo real”
e assim poderiam intervir de forma mais rápida para evitar erros e desperdício.
Além disso, o deputado também
sugeriu a criação de uma tabela de preços para limitar o valor- teto de cada
procedimento e a autonomia administrativa e financeira para as unidades de
saúde. “As OSS foram apontadas como alternativa para reduzir a burocracia
existente no Estado, mas isso não dispensa o controle das contas. É preciso dar
autonomia, sem deixar de fiscalizar”.
Apontada como principal fator que
colaborou para as irregularidades, a falta de fiscalização permitiu abusos nos
contratos como 12 aditivos em um deles, extinção do tratamento de fratura por
meio de gesso e até cobrança por intervenções não realizadas.
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