| Bruno Barcellos é titular da Delegacia do Jardim Glória, em Várzea Grande |
-E necessário tomar cuidado com as
pessoas que entram em sua casa e com quem seus filhos andam”. A orientação é do
delegado Bruno Barcellos, titular da Delegacia de Polícia Civil do Jardim
Glória, em Várzea Grande. Ele foi um dos palestrantes sobre violência na
infância durante a semana na sede da Ordem dos Advogados do Brasil de Mato
Grosso (OAB-MT).
Entre os assuntos tratados pelo
policial aparece o tema pedofilia. O delegado confirmou que na maioria dos
casos envolvendo violência sexual contra criança e adolescentes os autores são
parentes, amigos vizinhos.
“Infelizmente o monstro se
esconde dentro de casa na maioria das vezes. São pessoas próximas que cometem o
crime contra a criança. E a criança acaba nem desconfiando ou muito menos
denunciando, pois ela nem sabe o que está acontecendo”, frisou Barcellos.
Dado disponibilizado pela Polícia
Civil de Mato Grosso mostra que, nos primeiros oito meses deste ano, cerca de
600 casos de violência contra criança foram registrados, ou seja, a cada dia
pelo menos duas crianças são espancadas, aliciadas ou sofrem algum tipo de
violência em casa, na escola, na rua ou na creche. Assistido por mais de 250, o
delegado explicou durante a palestra que a pedofilia é um transtorno mental do
indivíduo, que ele passa a ter um gosto, um prazer em realizar a questão sexual
com criança. “Tem gente que fala que é uma doença, mas a maioria entende que
não é doença. Acredito que seja uma fantasia e que ele sabe muito bem o que
está fazendo”, disse o delegado.
Barcellos ainda comentou que os
crimes sexuais contra crianças é um fenômeno que se arrasta na sociedade há
muito tempo. “Mas acredito que a pedofilia é algo que sempre ocorreu. Hoje, a
partir da CPI da Pedofilia, tivemos uma melhoria com alguns fatos típicos que
estabeleceram crimes e sansões para esses indivíduos que praticam violência
sexual contra crianças e adolescentes”.
Um dos casos que chamou atenção
nesta semana foi um possível espancamento feito pelo pai que resultou na morte
de seu filho de cinco anos, no bairro Doutro Fábio, em Cuiabá. A criança,
segundo professores e vizinhos, sofria espancamento constantemente e, no
sábado, ele acabou sendo medicado com dores no estômago e morreu no domingo.
Segundo o médico legista, a criança tinha vários ferimentos no estômago.
Questionado sobre a internet ser
um dos caminhos fáceis para pedófilos conseguirem suas vítimas, o delegado
afirma que é necessário que os pais saibam onde seus filhos andam e com quem
eles conversam via facebook, whatsApp e outros aplicativos.
“A rede social não é um problema,
mas sim o que as pessoas fazem na rede. Por isso é necessário que os pais
fiquem atentos sobre a amizade de seus filhos. É necessário tomar muito cuidado
com quem está na sua casa, tomar cuidado onde os filhos entram, com quem se
comunicam pela internet, com quem falam pelo whatsApp, facebook. Pois os crimes
estão ocorrendo desta forma”, orientou.
A reportagem questionou o
delegado sobre qual seria a idade certa para que os pais pudessem liberar a
internet para seus filhos possam ter uma rede social , ele disse que depende
principalmente de cada tipo de criação.
“Nós da Polícia Civil não podemos
interferir na idade que a criança ou adolescente comece a usar a internet. Vai
da criança de cada família. Cada um vai estabelecer a melhor conduta, porém
acredito que estabelecer limites para os filhos seja conveniente e pedagógico,
senão a pessoa nasce sem qualquer tipo de limite e isso não é bom” finalizou.
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